A tarde abafada e de intenso calor dessa segunda feira, 26 de outubro de 2009, foi um dos reflexos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo. Essa alteração do clima traz impactos não somente ambientais como econômicos para toda a humanidade.
Esse foi o foco do Ciclo de Debates “Estado e Sociedade” Mudanças Climáticas e a Economia, realizado na mesma tarde no Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória.
O evento reuniu especialistas, estudantes e representantes do Governo e da indústria para a discussão que contou com a participação do economista e ambientalista, Sérgio Besserman Vianna e do secretário de Estado de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Julio Cesar Carmo Bueno.
Besserman comentou sobre as dificuldades que a humanidade enfrentará ao longo das próximas décadas, caso a emissão dos gases de efeito estufa não sejam reduzidos. “O aquecimento global é inevitável. Por mais que Copenhague seja bem sucedido, já é tarde demais, o planeta irá esquentar mais de 2 graus até o fim do século”. De acordo com economista, não sabemos ao certo as conseqüências do aquecimento acima de dois graus celsius, mas o aumento pode acarretar em 250 milhões de refugiados ambientais.
Sérgio Besserman ViannaMuito além de ser um problema ecológico, a mudança climática também afetará diretamente a economia mundial, a começar pela mudança da matriz energética. Não podemos continuar emitindo tantos gases de efeito estufa dos combustíveis fósseis. Essa será a grande discussão em Copenhague em dezembro. O economista revelou a importância da decisão e cumprimento das metas de redução do gás nos países em desenvolvimento e desenvolvidos, principalmente EUA e China.
O secretário Júlio Bueno acredita que muito ainda pode ser feito no Brasil para combater o aquecimento global, principalmente na área energética. “Os licenciamentos ambientais, por exemplo, em particular da área de energia, cada vez mais é importante que se tenham contrapartidas que impliquem em uma matriz energética limpa no Brasil”, explica.
O tema pré-sal também foi muito comentado no evento. Bueno destacou que a centralização dos recursos usados para a exploração do petróleo, proposta no marco regulatório e apresentada ao Governo Federal, é complexa e prejudicial aos estados produtores. Já para Besserman, essa exploração pode ser de forma sustentável e isso pode ser a chave para um futuro de sucesso. “É fundamental, ao invés de nos amarrarmos no mundo do passado, que é o mundo dos combustíveis fósseis, utilizar a riqueza do pré-sal para fazer a transição em direção ao mundo do futuro, que são as economias que não aquecem o planeta, de baixo teor de carbono”, ressalta.
Julio Cesar Carmo BuenoO próximo debate está previsto para março de 2010, com o tema Copenhague. A intenção é avaliar as decisões acordadas pelos 192 membros da Convenção – Quadro das Nações Unidas em dezembro. Afinal esta é a última chance para tentarmos salvar o planeta do aquecimento global.
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Veja os depoimentos dos palestrantes sobre o tema:




Local: Teatro Universitário – UFES






